Organização tem que abrir mais espaço ao negócio

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem que abrir mais espaço ao negócio e ao empreendedorismo, capitalizando nas oportunidades que existem nas regiões onde os seus Estados-membros estão inseridos, disse à Lusa o primeiro-ministro timorense.

"É preciso abrir mais espaço e dar mais oportunidade ao setor empresarial no âmbito da CPLP porque há muitas potencialidades, não só dentro da CPLP em si, mas particularmente nas áreas em que cada membro da CPLP está inserido", afirmou Rui Maria de Araújo.

"Na África, na Ásia e Pacífico e na América Latina, há grandes potencialidades e temos que abrir mais espaço aos empreendedores lusófonos para aproveitarem essa oportunidade", frisou.

A conversa com o chefe do Governo decorreu a propósito do 20.º aniversário da organização, que se assinala a 17 de julho, e em jeito de balanço do mandato da presidência rotativa exercida por Timor-Leste desde julho de 2014 - que será transferido para o Brasil aquando da próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo, prevista para novembro, mas ainda sem data marcada.

Uma presidência, recordou, em que Timor-Leste insistiu na agenda económica, elemento que quer ver na centralidade da nova visão estratégica da organização e que pautou algumas das novidades do mandato timorense.

"A CPLP é um espaço muito importante para Timor-Leste. E Timor-Leste está a tentar impor uma nova dinâmica, particularmente na componente económica. Os resultados da presidência têm demonstrado que a organização continua relevante. Não só na área da língua e político-diplomática, mas numa perspetiva de reforço da cooperação económica", sublinhou.

Fazendo um balanço "bastante positivo" da presidência timorense, Rui Araújo recordou algumas das dificuldades, incluindo a distância, na "mobilização de alguns setores técnicos para os encontros a nível ministerial".

Ainda assim, Timor-Leste conseguiu organizar com êxito mais de 70% das reuniões, viu a Guiné Equatorial participar em várias e conseguiu "dinamizar esse processo de incutir uma nova dinâmica na área económica" e empresarial, disse.

"Estabeleceu-se o primeiro fórum económico global da CPLP e está a pensar-se que esse fórum continue anualmente. Timor-Leste está a preparar-se para ser um anfitrião regular desse evento", disse.

A presidência permitiu ainda chegar ao consenso de que "Timor-Leste se encontra numa área estratégica, fazendo a ligação com outros países da ASEAN e outros países do Pacífico onde o setor empresarial da CPLP vai poder ter um papel", especialmente a nível de empreendimentos comerciais e de investimento, acrescentou o primeiro-ministro.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

com Lusa